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2020 numa palavra

Se só pudesses usar uma palavra para descrever o teu ano de pandemia, qual seria? Revelo a minha…

ALIMENTO.

Os meus textos, e a minha barriga, sentem-se quentinhos com toda a comida boa que marcou o meu 2020. Agora que faço o balanço deste ano que chega ao fim, dou-me conta que um dos temas que mais trabalhei foi precisamente a gastronomia. E estou a dar pulos de alegria por isso!

Ajudei negócios da área da restauração a enfrentarem a pandemia e a comunicarem durante os meses de confinamento, a desbravarem novos caminhos com as entregas ao domicílio, a descobrirem o mundo do online e, depois, a reabrirem as portas com a chegada do calor da Primavera e do Verão, mas com novas e bem difíceis condições.

Ao mesmo tempo, em família, cozinhei memórias como as de antigamente e que ficarão para sempre. Desde as primeiras panquecas feitas pelo meu sobrinho do meio e os mil e um pães caseiros da minha irmã, aos cozinhados da minha mãe e o “melhor arroz do mundo” que eu finalmente aprendi a fazer, segundo intitulou o meu sobrinho mais novo, durante aqueles primeiros meses de pandemia que passámos juntos na nossa casa no campo.

Se a cozinha já era um dos espaços centrais nas nossas casas, hoje é-o ainda mais. Agora, cozinhamos mais, compramos mais produtos locais e a granel, encontrámos novos fornecedores de verduras frescas vindas directamente da terra para a nossa mesa.

Aprendi e li bastante sobre alimentação neste último ano. Fiz o meu primeiro jejum intermitente. Escrevi sobre nutrição, sobre marcas portuguesas premiadas lá fora, sobre fruta da época, pastelaria… não podia ter sido mais português.

Toda esta enchente de sabor e prazer irá continuar nos meus textos de ghostwriter em 2021.

No entanto, emociono-me também por saber que este foi um dos negócios mais afectados pela crise gerada com a pandemia. O que me dá uma imensa vontade de escrever mais e mais sobre este sector e a magia que se vive dentro de uma cozinha, entre quem passa horas a amassar pão, a servir às mesas, a dar sabor às nossas vidas.

Alimentar a alma

2020 alimentou-me igualmente a alma. Se como eu perdeste pessoas queridas durante este difícil ano, as lágrimas transbordaram e abraçaram a dor, na falta dos abraços da família que não se pôde juntar para viver o luto em condições. Tivemos mundialmente de viver em conjunto uma outra palavra: superação!

No meu caso, 2020 ajudou-me a fazer um outro tipo de jejum, que não aquele que mencionei há pouco. Jejum de tudo aquilo que não me serve, não me faz feliz, não sacia o Ser. Em termos pessoais e profissionais. Descarte e renúncia. E é engraçado ver que no início do ano escolhi o símbolo de Yin e Yang para representar o ano que então começara. E não foi o que aconteceu? Acredito que muitos de nós vivenciou o poder que transborda nesta dualidade de tudo que existe no universo, a força que vive nesta dança conjunta entre a escuridão e a luz.

Por isso, este vírus “vacinou-me” e impeliu-me a ser ainda mais resiliente e a fazer escolhas que tornaram a minha vida mais leve e mais simples. Tal como na alimentação, menos é mais para a alma também. E neste final de refeição, Obrigada 2020!

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