Skip links

Bio

Rita Marques

A culpa é do macaco.

A minha infância cheira a mar, à serra de Sintra, outra vez a mar, à Beira Baixa e aos queijos e enchidos da minha avó à nossa espera na cozinha velha, com as lamparinas de azeite a iluminarem a noite quando chegávamos à aldeia vindos de Lisboa. E cheira a dança, às festas que os meus pais e tios organizavam para toda a família.
Sou a caçula de uma catrefada de primos, aqueles que nasceram dos 10 filhos dos meus avós maternos. Mas sou principalmente o cheiro dos livros que enchiam o meu quarto, mesmo antes de saber ler, e a memória que tenho da minha irmã e de mim, sentadas no chão, a ouvir as histórias reais do nosso pai, contadas por ele tal como narrava um conto infantil. Eram as minhas preferidas. Em vez das típicas ilustrações, mostrava as cartas e fotografias do Ultramar.
Especialmente as do seu macaco, adoptado e sempre empoleirado no ombro paterno que vivia uma guerra. Foi ao olhar para aquele macaco que tracei o meu destino. Ou seria o destino a traçar-me a mim? Crónicas, natureza, pessoas, viagens, lutas e porquês germinaram no meu planeta interior. Assim tornei-me ouvinte e contadora de histórias. E nunca mais deixei de o ser.

Desde

1978

Desembaracei as minhas raízes e plantei-me de novo na terra onde nasci.

Por isso é que eu, que nem sou Maria, ouvia isto vezes sem conta: “És a Maria dos Porquês!”. Na verdade, acho que o maldito bicho do jornalismo esteve sempre dentro de mim. E quando entrei na juventude, aumentaram os porquês. A eles juntaram-se os quem, quê, quando, onde e como ao chegar a faculdade e o curso de Comunicação Social. A gigante curiosidade fez-me sair de Portugal aos 20 anos. Escolhi Sevilha. Amadureci. Tal como a Sra. Responsabilidade e a Sra. Liberdade. Entrevistei refugiados, vivi mundo! Voltei. Fiz-me jornalista. Escrevi e revelei centenas de histórias.
Parei. E fui conhecer outras narrativas, ao trabalhar numa prisão. Voltei ao jornalismo. E voltei a emigrar. Angola e depois Canadá. Dois mundos opostos, mais porquês e mais histórias.
Ao entrar nos 30, a palavra saudade tomou conta de mim. Desembaracei as minhas raízes e plantei-me de novo na terra onde nasci. Abandonei a vida de freelancer e regressei à redacção — sempre a da Imprensa —, mas agora como

editora e chefe de redacção numa revista de televisão e noutra de social. Conciliámos o papel ao online. Geri tempo, pessoas e a harmonia que deve existir entre a linha editorial, a imagem e o design. Perdi a conta às experiências e histórias de anónimos e famosos que editei. E quando finalmente parei para ver, a minha vida estava cheia de crónicas, como sonhava em miúda.
Por esta altura, comecei a sentir-me uma sábia árvore de casca grossa. Sim, foi quando chegaram os 40. E como o planeta, que precisa de estar sempre a girar e a regenerar-se, eu também não sei estar quieta.
Foi assim que de editora executiva, passei a compor e a editar conteúdos, sonhos e projectos de pessoas e marcas. Um autêntico… planeta escrito! Hoje, tenho uma visão clara daquilo que pretendo: apoiar quem valoriza um estilo de vida mais sustentável e ajudar na auto-expressão e na comunicação escrita de narrativas bonitas, simples e com propósito. Porque por trás de uma história, há sempre alguma história. 

Alguns capítulos da minha carreira

1999
Correio da Manhã

Os meus primeiros passos no jornalismo foram na secção de Desporto do CM. Nunca me vou esquecer da minha manchete de estreia: a primeira entrevista dada por João Garcia, internado no hospital, após escapar à morte ao alcançar o cume do Evereste, no dia 18 de Maio de 1999.

2002
Diário de Notícias

Memórias de um dos jornais mais emblemáticos do País, o DN, e, para mim, um dos períodos mais especiais da minha vida. Seguiu-se o Tal&Qual, depois a entrada no mundo das revistas de televisão, com a TV7Dias. E vários anos a contar histórias de superação, doença, amor e paixão, de famosos e anónimos.

2007
Sevilha, Luanda e Toronto

Em 2001, decidi experimentar “viver lá fora”. Um curso de Espanhol, em Sevilha, e voluntariado na ONG España con ACNUR e uma experiência incrível que ainda hoje me faz ser meio sevilhana em certos aspectos da vida. Mas não só. Em 2007, voltei a sair, desta vez Luanda. Desde Angola, escrevi para jornais e revistas, como a agência norte-americana Bloomberg, a revista Focus e o extinto jornal 24 Horas. Nesse mesmo ano, atravessei o oceano e mudei de novo de país e continente. Durante os meses que estive no Canadá, escrevi para um jornal de emigrantes e enviei reportagens para Portugal. Hoje, tenho em mim todas essas culturas e mundos.

2009
TV Guia

Pertencer a uma equipa de chefia de uma revista, ou de duas ao mesmo tempo e ainda de um site, acreditem que é loucura, mas maravilhoso também. Superei-me em muitos aspectos, como chefe de redacção/editora executiva da revista TV Guia, da revista Flash e dos sites FlashFlashVidas. Foram 9 anos de um trabalho de equipa forte e que me ensinou muito.