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Sporting Campeão. 13 de Maio. Fátima e Dia da Espiga. Querem maior onda de fé?

Desde os meus dedinhos dos pés à ponta dos cabelos — e um corpo provavelmente ainda com grãos de areia colados na pele após um dia de praia — toda eu transbordava felicidade nesta fotografia tirada já de noite, no Estádio José Alvalade. Foram tantos jogos que, admito, já não tenho a certeza mas, se os meus registos e memória não me falham, esta foi na final da segunda edição do Troféu Cinco Violinos, na partida Sporting 3 — Fiorentina 0, a 11 de Agosto de 2013.

ser sportinguista
Estádio José Alvalade, Sporting

Na zona das claques, já com o estádio vazio, após terminado o jogo e os típicos aplausos e cânticos aos jogadores, eu criava mais uma memória — das muitas que fiz durante os vários anos em que apoiei de pé e sempre a cantar o meu clube, ali entre a Juve Leo e a Torcida Verde, como sócia com lugar marcado. Neste dia, o Sporting tinha ganho o jogo. Da mesma maneira perdeu muitos outros, durante os 19 anos em que gritámos por ele, sem nunca vencer o campeonato. Eu sei que todos devemos sentir o mesmo em relação ao nosso clube, mas eu sou reflexo do meu.

A vida e o meu Sporting ensinaram-me que — muitas, mas mesmo muitas vezes —, por mais que seja o Esforço, a Dedicação e a Devoção, nem sempre chegamos à Glória. Daí a sua improbabilidade ser tão festejada. Mas será mesmo assim? E se a glória não estiver na vitória? É maravilhoso celebrar e ver o Sporting Campeão. Foi há 21 anos, e há 19, quando eu era estudante e literalmente pintei-me toda de verde para ir ver os jogadores e festejar um clube que não ganhava o Título há 18. E foi de novo maravilhoso sentir-me “campeona” esta semana, mas agora já longe da confusão, a namorar à varanda com o sportinguista aqui de casa, em Alvalade, e a vermos os petardos e a festa lá fora.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Tenho tantas memórias, como a da noite em que fomos para o estádio esperar a equipa de Augusto Inácio que, a 14 de maio de 2000, vencera o Salgueiros em Vidal Pinheiro e acabava com a seca que durava desde 1982. Dessa vez, não sei como não fiquei com um gigante galo. É que cada vez que o meu primo, já descontrolado, sacudia uma daquelas bandeiras gigantes das claques na minha direcção… eu levava com o pau da bandeira na cabeça! Foi sem querer, eu sei primo, era festa. Ainda me lembro disso, mas não me lembro de doer, tal era a anestesia da alegria do momento. Ou quando me estreei no jornalismo, como estagiária no Desporto do Correio da Manhã, e a primeira conferência de Imprensa da minha vida, curiosamente, foi no Sporting.

No desporto, como em tudo na vida, o objectivo deve ser sempre querer alcançar e celebrar vitórias, mas, para mim, a glória não está nessa festa. Gosto de futebol e de desporto no geral, assumidamente, mas dos meus anos de sportinguista, a glória está nas incontáveis memórias, nas muitas paixões que tive, nas amizades e na família que o meu clube me deu; e nos calos que com ele ganhei — e que se chamam Paciência, Esperança e Resiliência.

O aprender a não desistir e a não abdicar dos valores e ideais… Ai, esse carisma perseverante de visconde elegante que é Ser-se Sporting! Transporto esta fé inabalável, que caracteriza o sportinguista, praticamente para tudo na minha vida. Inclusive no trabalho. Tenho de sentir fé e paixão. Sou uma eterna optimista, mesmo quando o resultado não está, de todo, a meu favor. E aceito bem as derrotas. O meu coração é um músculo fortalecido, ou não fosse este o de uma leoa que acredita até ao apito final. Na verdade, acho que ganho sempre. Pois, como vos digo, a glória não está no resultado esperado, mas naquele que nos ensina a crescer enquanto seres humanos.

Nos últimos anos, já praticamente não vejo bola, talvez por enjoo de toda a lama que existe à sua volta, mas sou e serei sempre Sporting em todas as suas modalidades e valores. E durante os próximos 19, 20, 40 anos, independentemente do resultado final.

Eu sou verde esperança. Eu sou fé. Só que, esta está dentro de mim — não está no Sporting, apesar de ter sido, em parte, este clube, e o bom que há em fazer parte de um todo maior, a ensinar-me isso. Tal como não está no Benfica para quem é benfiquista, ou no Porto para os portistas, ou num 13 de Maio em Fátima, falando de outra fé. Ou na apanha das flores, hoje, Dia da Espiga que nos dará pão, paz e dinheiro todo o ano. Está dentro de mim. Está dentro de ti. A fé e a glória. Que se torna em algo transcendente quando aprendemos a partilhá-la, a vivê-la e a alcançá-la em equipa.

Quando conto histórias e escrevo sobre memórias de vida, cada vez que começo a trabalhar em equipa com alguém novo, há tantas pequeninas glórias, tantas vitórias escondidas. Desafio-te a escreveres e encontrares as tuas também, nunca esquecendo a tua individualidade e o sublime colectivo.

Conta-me histórias de vida, preenche o formulário ou envia-me um e-mail para planeta@ritamarques.com.

Actualização: 13 de Maio de 2021 (inspirada por Derek Sivers)